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  • Victor Huggo

MINIMIZANDO RISCOS



O famoso ditado “Em time que está ganhando não se mexe”, parece que serve para realmente todas a situações em que não correr o risco de ruir é o que realmente importa. E porque será que no cinema seria diferente, por qual motivo ainda, com a música de cinema não seria dessa forma?

    Por um sem número de vezes já me peguei assistindo filmes no padrão Hollywoodiano e tive a sensação de já ter ouvido algumas daquelas músicas em outras produções. Estúdios diferentes, diretores diferentes, compositores diferentes, mas… a música sempre me soava a mesma. Daí chegava a casa, pesquisava a trilha do filme recém assistido e os anteriores e… quase, mas bem quase mesmo. As composições eram parecidas em quase todos os aspectos. Tonalidades, progressões de acordes, instrumentação e até mesmo o andamento. Mas, por que?

    Simples: o que já deu certo e gerou muito lucro antes, tende a se tornar “padrão” na industria, guiando novas produções.

    Tudo bem, para nós compositores, isso é ruim em relação ao processo criativo, uma vez que a criação vem depois de horas de referências ouvidas, analisadas e dissecadas minuciosamente. Se você está acostumado a compor com frequência o estilo de música solicitado, talvez o processo das referências já não seja tão necessário, mas ainda assim a criatividade é limitada pelo que já foi feito.

    As industrias visam lucros e para isso precisam minimizar os riscos, não dá para pôr em xeque uma produção, em função de um compositor que quis inovar e escreveu uma peça super complexa e delicada para um quarteto de cordas que será sincronizado com uma cena de um super herói lutando com um monstro em Manhattan durante o fim do mundo.

Como disse Eugênio Matos: “Da mesma forma que a pipoca, o refrigerante, o ar-condicionado, o som, as poltronas da sala, o tamanho da tela, a aventura, os cenários, a performance dos atores, a beleza das paisagens etc. A trilha musical deve satisfazer às expectativas da platéia.”

    Originalidade não é tão facilmente aceita nessa industria quanto nós gostaríamos.



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